Por que escolhi ser Psicóloga?

No Dia do Psicólogo e com todas as felicitações recebidas, me perguntei, porque escolhi essa profissão. Não me lembro das pessoas ficarem me indagando o que eu iria ser quando crescer, como a maioria das pessoas relatam. Eu não tinha nenhuma decisão pronta, até ter que decidir. E nunca me angustiei com isso, sabia que na hora certa, saberia o que fazer. Acho que nem foi uma questão de escolha, mas, de encontro.

Sempre fui muito observadora, de achar curioso o comportamento das pessoas e de ficar hipnotizada com histórias. Não é à toa que pensei em ser jornalista. O sofrimento humano também sempre me arrebatou, a invisibilidade social dos menos favorecidos, ainda mais, surgindo daí uma outra vontade, de ser assistente social.

Pera aí, me lembrei aqui, que nos meus sonhos mais “infantis”, me via escritora. Os filmes de Hollywood tiveram muita influência nisso. Ficava encantada com a possibilidade de trabalhar de frente para uma linda paisagem, escrevendo histórias. Só que, ao imaginar, logo ecoava dentro de mim a frequente fala das pessoas: “Ser escritora no Brasil, não dá sustento”. A minha autoestima na época também não colaborava, construí a crença de que: “Para ser escritor(a), há de se ter uma mente genial”. As ideias eram mesmo de grandeza, espelhava-me nos filósofos mais célebres.

Hoje, entendo que, só não era o momento, eu precisava conhecer mais da vida e desconstruir certas ideologias. Aos 9 anos, tive o convite para acompanhar minha irmã, que na época tinha 12, a duas de suas sessões com a psicóloga. Não imaginava que essa experiência iria me influenciar tanto. No início pareceu meio bizarro, pois, falei mesmo com a almofada! Confesso que, de imediato, fiquei bem envergonhada, pois sempre fui muito centrada para a minha idade, mas, depois, fiquei com gostinho de quero mais. A figura daquela psicóloga me marcou, ou melhor, o trabalho dela me pareceu muito profundo e humano.

O tempo passou e o vestibular chegou, decidi com o coração e ao longo destes meus 12 anos de formada, sinto essa escolha sendo sempre confirmada, apesar das dificuldades da profissão; mas, entendendo que ela compõe apenas uma das facetas do meu eu social, não me limito a esse papel, acolho também o meu lado escritora, professora, filosofa, assistente social, artista… Posso ser várias e, isso sim, é genial!