“Eu tenho medo de ser eu mesma”

Hoje atendi uma cliente nova. Isso é sempre bem excitante.

E uma das falas dela, me impactou, e olha que não sou de me surpreender tão facilmente, procuro conter os meus julgamentos.

Não fiquem imaginando algo de outro mundo, pelo contrário, a indignação maior é justamente por ser algo bastante trivial, principalmente, entre nós mulheres.

Anos atrás, eu tinha que lidar mentalmente com essa questão, várias vezes ao dia, mesmo na maioria das vezes, nem tendo a consciência disso. Que bom que ela já chegou com essa consciência!

A jovem soltou a frase: “Eu tenho medo de ser eu mesma”. Na mesma hora, o meu corpo foi tomado por uma fraqueza e me veio uma certa tristeza.

Perguntei-me internamente: “Como assim? Isso é o que nós temos de mais precioso!”.

Mas em seguida, entrei numa sintonia de compreensão, do quanto realmente isso é bem custoso para todas(os) nós.

Envolve ter que discordar de algumas pessoas, lidar com os questionamentos de outras, ouvir críticas, não ter os comodismos de se enquadrar à maioria.

Ao passo que também, é de uma leveza libertadora, muito mais emocionante e criativo, como se permitir dançar na chuva, sem se importar com os olhares, a roupa molhada e se leva jeito para a dança, mas, a cima de tudo, se divertindo muito!

Você já fez pão?

Hoje, fazendo o meu primeiro pão, me veio uma reflexão. Seguindo uma receita, bati no liquidificador parte dos ingredientes e, depois, fui acrescentando, aos poucos, a farinha e misturando com as mãos.

Quanto mais eu batia na massa, mais ela encorpava e se unificava. Em seguida, a deixei descansando, por um bom tempo, e quando voltei, ela tinha dobrado de tamanho.

Será que é assim que a vida também faz com a gente. Quanto mais situações difíceis nos comprimem, nos reservam, mais fortes vamos ficando e crescidos, ampliados. A ponto de também, assim como a massa para virar pão, aguentarmos o forno pré-aquecido e ainda aproveitarmos a alta temperatura para aumentarmos a nossa beleza, desenvolvermos o nosso aroma e aguçarmos o nosso sabor, suscitando o suspiro das pessoas ao redor e o desejo de nos provarem; para, em seguida, inclusive, pedirem a nossa receita.

Mesmo sabendo que jamais ficará igual, que cada pão é único, que nem seguindo a mesma receita, se chegará ao mesmo resultado; pois, depende da singularidade dos ingredientes e do manejo das mãos de quem o faz. E essa premissa é a melhor parte, ser sempre original e haver diversas formas de ficar saboroso.

Obs.: A imagem não é fake, é a foto do pão que eu fiz. 🙂