Ela é esquisita!

Eu sempre me deparo no consultório com várias pessoas narrando sentimentos de inadequações. Hoje, em um atendimento específico, me veio uma lembrança da minha adolescência, quando chegou aos meus ouvidos, um comentário de uma conhecida sobre mim: “Ela é esquisita!”.

Na época, isso me chocou muito, fiquei com a sensação de ser a encarnação da “Carrie, a estranha”,  filme sobre uma adolescente com poderes especiais que é humilhada pelos colegas. E essas palavras, junto com a conotação negativa, me hipnotizaram por um “bom” tempo e me traziam auto repreensões.

Trazendo para o presente, posso falar sobre isso com um gostinho de orgulho e penso: “Poxa, como não encarei dessa forma antes?!”. Ela só quis dizer que eu não era uma adolescente que tentava de qualquer jeito seguir ao modelo social proposto, que eu tinha o meu jeito próprio de ser e era fiel a ele, mesmo que destoasse da maioria. Eita, menina corajosa!

Mas pudera, com um pai que sempre usou um bigode grosso e corte de cabelo estilizado, adepto ao minimalismo, sem estar seguindo moda; e transgressor ao capitalismo selvagem, só poderia dar nisto, autenticidade.

E não há nada mais libertador! Te encorajo a desfrutar da sua unicidade. Já sabendo que ela desconcertará os padronizados ao seu redor, mas não se intimide com isso. 😉

Tem algo mais seguro do que ser você mesma(o)?

Estou considerando aqui sobre a autenticidade ser a mais segura opção de investimento pessoal. Você já a pensou como sendo o “bem” e o “recurso” que ninguém pode te tirar e que não haverá outro alguém que possua, a mesma que a sua.

Isso traz fundamento ao crescente movimento de economias criativas, partindo deste cenário de crise econômica e política. Afinal, uma organização para qual você trabalhe pode demiti-la(o), o Estado pode falir, mas você continuará sendo você mesma(o), tendo suas habilidades e sendo o seu diferencial.

Não estou querendo dizer que todos agora devem mudar de profissão e serem empreendedores, até porque a realidade financeira e profissional não deve ser tratada de maneira tão simplista.

Refiro-me a questões ideológicas, por que não adotar uma filosofia de vida em que sejamos mais autônomas(os), mais emponderadas(os) de nós mesmas(os) e mais conscientes do que faz o nosso coração pulsar com mais energia, gerando uma corrente elétrica ao nosso redor, alinhando as nossas escolhas e posicionamentos à nossa essência.

Evidentemente, se a realidade não corresponder ao que projetamos, seja ela qual for, não precisaremos ficar reféns de ninguém, caso haja essa conexão interna. Será possível mudar os planos e recomeçar, mais experiente, tendo os recursos próprios e fundamentais para se reinventar, depois de uma intempérie da vida.

Haja a vista o trajeto seja penoso, estando a nossa bússola interna bem regulada, fica mais fácil achar a trilha desejada. E quando o contexto é tão adverso e preponderante, há ajustamentos criativos, a serem revelados pela nossa intuição, de modo a proporcionarem alívios à caminhada.