Que peso você carrega?

Faço essa pergunta no sentido literal mesmo, o que seu corpo vem carregando.

Percebe alguma região mais dolorida, enrijecida, dormente, sobressaltada.

A dor é perfurante, queima, aperta. Como incomoda?

A respiração flui livremente ou é intercortada. Preenche ou precipita-se.

Tudo o que vivemos, sentimos e pensamos repercute em nosso corpo. Não há como fugirmos disso, assim como, o contrário.

Mente atordoada, corpo retesado. Pensamentos leves, músculos relaxados.

Alongando-o, o corpo relaxa, será que alargando as crenças, não funcione também com o nosso cabeção?

Certo é que, corpo e mente funcionam com mais liberdade, fluidez, quando não há retensão.

Se não está dando conta de aliviar os pensamentos, por que não fazer o caminho inverso, soltar o esqueleto e deixar a cuca tendo que se reinventar. Nada como uma massagem relaxante, dança, yoga, para se experimentar isso. Eu não dispenso e recomendo. 🤗

Como você está?

Hoje, eu faço essa pergunta para você e estou disponível para ouvir a sua resposta, qualquer que ela seja. Podemos juntas(os) rir ou chorar.

Não vou me antecipar a sua resposta nem precisa que você responda no automático.

O por que disso? Hoje fui prestigiar os produtos da minha irmã numa feira de artesanato. E quando eu estava me preparando para me despedir, as lindas bolsas em tecidos da Vanessa Vintage atraíram uma determinada cliente.

A rapidez da compra me deixou surpresa e o jeito desconcertado que a senhora queria levar a bolsa alaranjada foi chamando a atenção. Não demorou muito para ela desabafar: “Eu não estou bem, meu filho mais velho morreu tem 6 dias e o casamento do mais novo ocorreu há 7. Festa e tristeza. E eu fiquei sozinha”.

Minha mãe imediatamente tentou consolá-la e eu só consegui expressar o meu pesar. Ela não se demorou, já foi para a outra banca, estava bastante eufórica.

No consultório, me deparo com muitas história difíceis, mas aqueles minutos me trouxeram outras reflexões, direcionadas as nossas interações sociais. O quanto estamos presentes na nossa vida cotidiana e podemos não só nos percebermos, mas também o outro.

Quando essa senhora desabou o tamanho da dor de cabeça que carregava, esqueci da dorzinha de cabeça que estava me dando, por conta de ter passado do horário programado para almoçar. Dei-me esse intervalo na autoconsciência, para encontrá-la em sua dor,  depois, precisou uma tonteira gritar pela minha presença, para que eu me voltasse à minha necessidade e fosse almoçar.

Essa é a dinâmica da vida, dentro e fora, mundo interno e externo, eu e o outro.

Você não entendeu, querida!

Esta semana aconteceu um fato curioso comigo. Pontuei de maneira mais enfática uma discordância sobre a fala de um conhecido. Não costumo me manifestar nas postagens de outras pessoas, mas dessa vez, por se tratar de um assunto em torno da minha área profissional, me senti compelida a fazê-lo, por um compromisso com a minha dedicação e a de tantos outros colegas de profissão, além de desmistificar alguns entendimentos equivocados, salvaguardando os valores da Psicologia.

Mas o que me chamou mais a atenção, não foi o comentário eivado de uma mensagem sublimar pejorativa, onde havia uma intenção, mesmo que inconsciente do autor, de equiparar ou até inferiorizar uma sessão de um psicólogo com ou a uma conversa entre amigos. Pois, se tratando disso, entendo como a reprodução de um inconsciente coletivo.

O meu descontentamento maior se deu pela linha de pensamento que conduziu a sua reatividade. Foi tipo isto: “Você não entendeu, querida!”. E ainda veio com uma explicação simplificada de um conceito que só podia ser óbvio para mim, por ser psicóloga, dando a entender que eu não o conhecia ou que tinha o entendimento errado.

rEle provavelmente não deve ter se dado conta, pois, geralmente, é assim que acontece. Envolve questões de ego, mas também pode estar embutida uma postura subliminar do machismo, onde o homem, para se sobressair numa dada situação em que a mulher de alguma forma o confrontou, cai na esparrela de insinuar que ela que distorceu ou não compreendeu direito. Valendo-se de uma estratégia de supremacia masculina, que visa colocar a mulher na condição de burra ou louca, para não reconhecer o próprio deslize ou por se sentir desconfortável com a capacidade feminina.

Fiz esta postagem, por acreditar que jogando luz em situações como essa, que elas vão, cada vez mais, deixando de existir. Afinal, somos todos homo sapiens! 🤓

 

Leitura sugerida: MM360 explica os termos gaslighting, mansplaining, manterrupting e bropriating.

Entre nesta dança!

Ontem, no meu consultório, realizei mais um Workshop Aqui e Agora. Foi um condensado das 6 edições anteriores. Iniciei esse trabalho em fevereiro de 2016, ainda sem muito formato, mas com um desejo legítimo de percorrer, junto com quem se interessasse, o caminho de volta para casa, para o nosso coração, para a pessoa que somos, mas que a perdemos no percurso das nossas escolhas ou falta delas, e pelas responsabilidades.

Eu escolhi esse nome, por ter haver com a abordagem da psicologia que eu me aprofundei, a Gestalt-terapia, assim como, com a proposta que eu me dispunha a explorar, a presença viva, espontânea e integrada.

Posso dizer que os encontros são compostos de introspecções e de brincadeiras, de gente grande, porque adulto também pode se permitir desenhar, fantasiar, dançar… E melhor que não seja da forma controlada como costumamos fazer. Sem buscar técnicas, porém com expressão.

No final, desse sétimo workshop, o qual já conquistou uma certa estrutura, surgiu espontaneamente a ideia de colocarmos um samba, pois o planejado era uma música celta. E foi ótimo! Muito melhor do que o planejado. Eu não sei sambar, dentro do que se convencionou que é o samba, mas saiu o meu samba. Assim como de cada uma das pessoas presentes e foi o que precisávamos.

Encerro dizendo que cada vez mais tenho tido a certeza que o despertar está no óbvio, no simples. Sendo o conhecimento também muito bom, mas se não o deixarmos nos entorpece com suas teorias, nem abandonarmos a grandiosidade da nossa criação intuitiva. Não menospreze e não se defenda do que parece infantil, informal, subjetivo demais, essa é mais uma das ciladas do ego, para o manter a margem de si mesmo. Acredite na sua sabedoria interna, ela te mostrará caminhos ainda inexplorados, que o convidam ao seu despertamento. “Perca a cabeça e chegue aos sentidos” (Fritz Perls).

Obs: Agradeço a presença dos participantes – Eva (conterrânea do Freud), Grazi, Ju, Tamires e Welbio (cameraman) – que contribuíram para que o nosso encontro fosse assim. 😊 🌻