Esta semana aconteceu um fato curioso comigo. Pontuei de maneira mais enfática uma discordância sobre a fala de um conhecido. Não costumo me manifestar nas postagens de outras pessoas, mas dessa vez, por se tratar de um assunto em torno da minha área profissional, me senti compelida a fazê-lo, por um compromisso com a minha dedicação e a de tantos outros colegas de profissão, além de desmistificar alguns entendimentos equivocados, salvaguardando os valores da Psicologia.

Mas o que me chamou mais a atenção, não foi o comentário eivado de uma mensagem sublimar pejorativa, onde havia uma intenção, mesmo que inconsciente do autor, de equiparar ou até inferiorizar uma sessão de um psicólogo com ou a uma conversa entre amigos. Pois, se tratando disso, entendo como a reprodução de um inconsciente coletivo.

O meu descontentamento maior se deu pela linha de pensamento que conduziu a sua reatividade. Foi tipo isto: “Você não entendeu, querida!”. E ainda veio com uma explicação simplificada de um conceito que só podia ser óbvio para mim, por ser psicóloga, dando a entender que eu não o conhecia ou que tinha o entendimento errado.

rEle provavelmente não deve ter se dado conta, pois, geralmente, é assim que acontece. Envolve questões de ego, mas também pode estar embutida uma postura subliminar do machismo, onde o homem, para se sobressair numa dada situação em que a mulher de alguma forma o confrontou, cai na esparrela de insinuar que ela que distorceu ou não compreendeu direito. Valendo-se de uma estratégia de supremacia masculina, que visa colocar a mulher na condição de burra ou louca, para não reconhecer o próprio deslize ou por se sentir desconfortável com a capacidade feminina.

Fiz esta postagem, por acreditar que jogando luz em situações como essa, que elas vão, cada vez mais, deixando de existir. Afinal, somos todos homo sapiens! 🤓

 

Leitura sugerida: MM360 explica os termos gaslighting, mansplaining, manterrupting e bropriating.

4 comentários sobre “Você não entendeu, querida!

  1. Oi Luciana!
    Adorei a postagem, dias desses vi em um site exatamente sobre este tema (perdão por não recordar o local… rs) e fiquei pensando sobre quantas vezes, nós, mulheres, passamos por isso. A mentalidade machista tende sempre a esse recurso, se nós discordamos de algo, ou apresentamos um argumento distinto, só pode ser, como você bem colocou, porque nós não fomos capazes de entender. O pior de tudo é que isto não se resume à áreas específicas, como você citou no caso da sua profissionalização. Ocorre com praticamente tudo. Valeu o lembrete pra sociedade! 🙂
    xoxo

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  2. Muito pertinente o seu post, Lu! A questão do machismo ainda tão presente na nossa sociedade, se mostra muitas vezes de forma sutil e camuflada! E isto incomoda a nós mulheres e como incomoda… Temos mesmo que nos manifestarmos e aproveitar oportunidades como esta para nos posicionar! Como você mesma disse é uma forma de jogar luz neste contexto e contribuir para uma mudança!
    Bjs

    Curtido por 1 pessoa

  3. Exatamente, Andréia! Obrigada por ratificar a existência desse tratamento desigual com nós mulheres e expressar também a sua indignação. Fiquei muito feliz com a sua visita e contribuição. Volte sempre! 🙂

    Beijosss

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