Hoje, eu faço essa pergunta para você e estou disponível para ouvir a sua resposta, qualquer que ela seja. Podemos juntas(os) rir ou chorar.

Não vou me antecipar a sua resposta nem precisa que você responda no automático.

O por que disso? Hoje fui prestigiar os produtos da minha irmã numa feira de artesanato. E quando eu estava me preparando para me despedir, as lindas bolsas em tecidos da Vanessa Vintage atraíram uma determinada cliente.

A rapidez da compra me deixou surpresa e o jeito desconcertado que a senhora queria levar a bolsa alaranjada foi chamando a atenção. Não demorou muito para ela desabafar: “Eu não estou bem, meu filho mais velho morreu tem 6 dias e o casamento do mais novo ocorreu há 7. Festa e tristeza. E eu fiquei sozinha”.

Minha mãe imediatamente tentou consolá-la e eu só consegui expressar o meu pesar. Ela não se demorou, já foi para a outra banca, estava bastante eufórica.

No consultório, me deparo com muitas história difíceis, mas aqueles minutos me trouxeram outras reflexões, direcionadas as nossas interações sociais. O quanto estamos presentes na nossa vida cotidiana e podemos não só nos percebermos, mas também o outro.

Quando essa senhora desabou o tamanho da dor de cabeça que carregava, esqueci da dorzinha de cabeça que estava me dando, por conta de ter passado do horário programado para almoçar. Dei-me esse intervalo na autoconsciência, para encontrá-la em sua dor,  depois, precisou uma tonteira gritar pela minha presença, para que eu me voltasse à minha necessidade e fosse almoçar.

Essa é a dinâmica da vida, dentro e fora, mundo interno e externo, eu e o outro.

4 comentários sobre “Como você está?

  1. Uma pergunta tão simples, mas que nem sempre é fácil responder. Me lembrei do filme Patterson em que essa pergunta era feita todos os dias. Em cena os mesmos personagens. Um deles narrava suas :desgraças pessoais, enquanto o outro apenas dizia: tudo bem. Mas era o personagem a quem tínhamos acesso e sabíamos que não estava tudo bem, mas, as vezes, é melhor resumir a visa num suspiro que partilhar nossos interiores com as pessoas, afinal, ouvir não é exatamente uma prática comum nos dias atuais.
    Bacio é bom domingo

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    1. Ainda não assisti ao filme Patterson, fiquei com mais vontade agora. Realmente não é comum encontrar essa reciprocidade nas relações, não encontrando, também acho melhor se preservar.
      Um abraço e um ótimo domingo.

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  2. Que dor transbordante dessa mulher! Acho que a resposta lacônica que costumamos dar à essa pergunta vem do filtro que buscamos ter para não preencher qualquer ouvido com nossas verdades. É sempre uma pergunta de difícil resposta, pois nosso interior quase sempre está repleto de emoções e sentimentos variados, como no caso desta senhora, um misto de alegria e dor. O dinamismo da vida interna é intenso. O filme que Lunna citou é super interessante, vale a pena assistir.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Sim, Cleane. Dor gigantesca, desconcertante mesmo. Realmente nós sentimos muito e isso muda a todo momento. Obrigada por ter reforçado a indicação do filme, vou assistir e depois conto para vocês o que achei.

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