Conversando com um amiga por esses dias, reparei o quanto ela comparava a sua história com a de outras pessoas, demonstrando uma certa consternação, pelo que se deu em sua vida até aqui, interpretando a caminhada e a chegada de conhecidos muito mais favorecidas do que as dela.

Não estou me referindo ao tema meritocracia. A minha reflexão quer se dirigir às nossas necessidades pessoais, independente da natureza que seja e das facilidades ou desvantagens para atendê-las, em contrapartida, o quanto a comparação das mesmas, pode ser massacrante, para quem guiar as escolhas por meio disso.

Acredito já haver consenso, que o sofrimento é uma experiência individual e que tem um sentido próprio para cada pessoa. Mas ainda percebo não estar tão claro que a felicidade também, o que o outro está vivendo e o levando à plenitude, pode não me preencher, nem a você. Temos necessidades diferentes.

Por exemplo, o formato “família margarina”, com certeza, não trará a mesma satisfação a  todas as mulheres. Uma vez ouvi de uma pesquisadora renomada que a libido dela é intelectual, ela se casou, mas não quis ter filhos e não tinha nenhum remorso ou arrependimento, continuava sentindo ter feito a escolha certa para ela. E não se tratava de uma questão de egoísmo ou insensibilidade da parte dela, como a sociedade ainda costuma rotular. Pelo contrário, ela chama a atenção, justamente, pela sensibilidade  e generosidade, que demonstra em suas relações.

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Eu penso que essa sensação de fracasso ou de inadequação, ao não alcançar algo, precisa ser conferida, se não se relaciona com um equívoco na seleção do que é supervalorizado pelas pessoas à nossa volta e elencado como meta própria de vida, em detrimento do desejo real. Pois, quando tentamos nos enganar, indo em busca desse modelo social e ele de fato não se adequa a nós, o melhor que podemos fazer por nós, é nos sabotarmos, porque se vier a dar certo, vamos nos decepcionar por demais, exceto, se a inconsciência for tamanha, que somente se dê conta da enganosa satisfação, em fazer parte do hall, dos que alcançaram o “ideal”.

4 comentários sobre “Por que foi assim?

  1. Maravilhosa reflexão. Muito triste tentar viver uma vida que não é a nossa. Ou sofrer pressão externa para buscarmos a tal “vida perfeita”, mesmo porque ela não existe e aí vem a frustração e a infelicidade de nunca alcançá-la.

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  2. Eu parei aqui para respirar porque vivemos tempos estranhos, somos todos especialistas na vida dos outros. Se você não quer ter seguir o modelo pronto, o mundo te ataca como se você fosse o único fora da fila humana. rá
    Semana passada a discutir a bobagem do momento, me disseram que eu não podia opinar na questão porque não tenho filho, não sou mãe, não vou entender, já que eu escolhi (e nesse momento o tom de voz mudou consideravelmente) não ser parte da realidade.
    E eu respiro fundo e penso ‘não sou mãe, mas tive uma mãe-mulher-pessoa incrível que me ensinou a cuidar de mim e não dizer ao outro o que fazer de si’. Enfim, acho lindo ver pessoas cúmplices e ocupadas de si…

    Grata pelo diálogo, cara mia, é sempre bom ouvir diálogos que nos fazem pensar.
    bom domingo

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    1. Que bom que pude lhe trazer reflexões, Cara Lunna. Também me canso desses donos da verdade. Dependendo, temos mesmo que nos fazer de desentendidas e seguir em frente. A nossa vida já nos consome muito. Bom domingo tb! Um abraço.

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