Cadê o seu grupo?

Escolhi compartilhar sobre o grupo de quarta e como tem sido valiosa a oportunidade de me ampliar com as trocas terapêuticas e humanas entre nós – seguindo a ordem da foto – eu, Sheila, Laura e Ju. A cada encontro, com dia e hora marcados, mas sem tema pré-estabelecido, nos entregamos ao inesperado, acolhendo o que a semana trouxe a cada uma.

Tem vezes que o mesmo assunto insiste em ficar voltando e não tem problema com isso, pode-se levar tempo para que algo tome outro rumo, mude de forma ou fique para trás, dando abertura para o novo chegar.

E quando tem novidade é sempre muito empolgante, descortinasse novas possibilidades e conhecemos outras facetas de nós mesmas ainda inexploradas.

Essa transitoriedade da vida e das nossas emoções deixam nossos encontros mais vivos e sempre esperados. Pode-se chegar triste, cansada, alegre e animada. Pode ficar mais caladinha ou falar pelos cotovelos. Autorrespeito com respeito à outra caminham juntos.

Cada uma tem a sua história e o seu jeito único de ser ou de estar no mundo. Não pretendemos julgar, mas caso ocorra, lembramos de olhar atentamente para a crença que sustenta o desconforto. E notando alguma emoção, nos responsabilizamos e observamos o que ela nos diz.

Sou muito grata por terem aceito o meu convite para embarcarmos nessa viagem surpreendente ao encontro de nós mesmas, partindo do encontro com a outra. E simbora! Ainda há muitas chegadas e partidas até o destino final.

Obs.: A foto registra a comemoração das aniversariantes do mês de julho, Eu e Laura, em um dos encontros da nossa Terapia de Grupo.

 

 

Como você exerce a sua fala?

Depois de algumas experiências como palestrante ou facilitadora de grupos, pude perceber algumas reações peculiares surgindo em mim e no público.

Você já presenciou um palestrante ou professor discorrendo sobre algo e de repente alguém ou você mesma(o) levanta o dedo e faz uma intervenção egoica, tipo: faz questão, mesmo que não haja tanta relevância, de pontuar algum deslize do palestrante ou querer se antecipar ao que ele vai falar?

Eu lembro de ter feito isso com uma professora que tive, faz bastante tempo, mas me marcou. Ela sempre tão certeira, mas um dia deslizou e eu num impulso, mostrei um erro que ela teve, mas, logo depois, me senti tão constrangida pelo que eu tinha feito, porque me vi fazendo aquilo como uma forma de autoafirmação e me dei conta da mediocridade revelada naquele momento, acho que as pessoas nem perceberam, mas eu e a professora percebemos. E isso bastou para uma grande reflexão.

Levei isso para minha vida! É muito bom perceber, que o aprofundamento, ao qual me permiti ter, a partir dessa vivência, foi moldando em mim uma generosidade para com o outro e também comigo. Agora, com a oportunidade de ocupar o outro lado, percebendo as pessoas também tendo esses impulsos comigo, consigo aceitar que eu erro e falar para mim mesma que está tudo bem, é a arte da imperfeição, que nos permite nos relacionarmos de igual para igual, assumindo-nos como sempre em processo de aprimoramento. Sendo também mais empática e segura ao exercer a escuta com o outro, me responsabilizando pelo que sinto e optando por posturas menos reativas. Além do que, quando mais generosos somos conosco e com o outro, disseminamos a generosidade ao nosso redor e a recebemos de volta.

Obs: A foto registra um dos meus PsicoEncontros no Espaço Arco. 🙂

 

Como anda o seu juiz interno?

Participei de um workshop no último fim de semana e uma das dinâmicas foi sobre o juiz interno, aquela voz que nos impõe obrigações, restringe  a nossa liberdade e nos penaliza pelas decisões tomadas. Ele costuma ser autoritário e abusivo, acredita ser detentor da verdade, não sabe relativizar e determina um único modelo a ser seguido. Quando contrariado, é altamente opressor.

Ele é personalíssimo, cada um tem o seu, e atua de acordo com as crenças internalizadas, ao longo das vivências ou meios de convívio. Costuma tagarelar sentenças determinantes como estas: “O seu valor está diretamente relacionado ao seu extrato bancário”; “A sua aparência precisa agradar aos outros”; “Você tem que seguir o modelo familiar”… Algumas pessoas podem ter juízes mais duros e outras, mais sutis.

Se não forem contidos, eles vão nos sentenciando e aprisionando, pois são do tipo que só ouvem à acusação. No código penal deles cabe prisão perpétua e até pena de morte. O que podemos fazer é destituí-los do cargo, nomeando no lugar os nossos guias ou sábios interiores (isso é só uma nomenclatura), como mediadores, de modo a considerarem sempre a nossa humanidade, assim como a realidade e especificidade de cada contexto, procurando promover as devidas conciliações e reduzir os possíveis danos, a fim de que cada pessoa possa seguir o curso próprio da sua vida, com respeito mútuo, a si e aos outros.

Ela é esquisita!

Eu sempre me deparo no consultório com várias pessoas narrando sentimentos de inadequações. Hoje, em um atendimento específico, me veio uma lembrança da minha adolescência, quando chegou aos meus ouvidos, um comentário de uma conhecida sobre mim: “Ela é esquisita!”.

Na época, isso me chocou muito, fiquei com a sensação de ser a encarnação da “Carrie, a estranha”,  filme sobre uma adolescente com poderes especiais que é humilhada pelos colegas. E essas palavras, junto com a conotação negativa, me hipnotizaram por um “bom” tempo e me traziam auto repreensões.

Trazendo para o presente, posso falar sobre isso com um gostinho de orgulho e penso: “Poxa, como não encarei dessa forma antes?!”. Ela só quis dizer que eu não era uma adolescente que tentava de qualquer jeito seguir ao modelo social proposto, que eu tinha o meu jeito próprio de ser e era fiel a ele, mesmo que destoasse da maioria. Eita, menina corajosa!

Mas pudera, com um pai que sempre usou um bigode grosso e corte de cabelo estilizado, adepto ao minimalismo, sem estar seguindo moda; e transgressor ao capitalismo selvagem, só poderia dar nisto, autenticidade.

E não há nada mais libertador! Te encorajo a desfrutar da sua unicidade. Já sabendo que ela desconcertará os padronizados ao seu redor, mas não se intimide com isso. 😉

Tem algo mais seguro do que ser você mesma(o)?

Estou considerando aqui sobre a autenticidade ser a mais segura opção de investimento pessoal. Você já a pensou como sendo o “bem” e o “recurso” que ninguém pode te tirar e que não haverá outro alguém que possua, a mesma que a sua.

Isso traz fundamento ao crescente movimento de economias criativas, partindo deste cenário de crise econômica e política. Afinal, uma organização para qual você trabalhe pode demiti-la(o), o Estado pode falir, mas você continuará sendo você mesma(o), tendo suas habilidades e sendo o seu diferencial.

Não estou querendo dizer que todos agora devem mudar de profissão e serem empreendedores, até porque a realidade financeira e profissional não deve ser tratada de maneira tão simplista.

Refiro-me a questões ideológicas, por que não adotar uma filosofia de vida em que sejamos mais autônomas(os), mais emponderadas(os) de nós mesmas(os) e mais conscientes do que faz o nosso coração pulsar com mais energia, gerando uma corrente elétrica ao nosso redor, alinhando as nossas escolhas e posicionamentos à nossa essência.

Evidentemente, se a realidade não corresponder ao que projetamos, seja ela qual for, não precisaremos ficar reféns de ninguém, caso haja essa conexão interna. Será possível mudar os planos e recomeçar, mais experiente, tendo os recursos próprios e fundamentais para se reinventar, depois de uma intempérie da vida.

Haja a vista o trajeto seja penoso, estando a nossa bússola interna bem regulada, fica mais fácil achar a trilha desejada. E quando o contexto é tão adverso e preponderante, há ajustamentos criativos, a serem revelados pela nossa intuição, de modo a proporcionarem alívios à caminhada.

“Eu tenho medo de ser eu mesma”

Hoje atendi uma cliente nova. Isso é sempre bem excitante.

E uma das falas dela, me impactou, e olha que não sou de me surpreender tão facilmente, procuro conter os meus julgamentos.

Não fiquem imaginando algo de outro mundo, pelo contrário, a indignação maior é justamente por ser algo bastante trivial, principalmente, entre nós mulheres.

Anos atrás, eu tinha que lidar mentalmente com essa questão, várias vezes ao dia, mesmo na maioria das vezes, nem tendo a consciência disso. Que bom que ela já chegou com essa consciência!

A jovem soltou a frase: “Eu tenho medo de ser eu mesma”. Na mesma hora, o meu corpo foi tomado por uma fraqueza e me veio uma certa tristeza.

Perguntei-me internamente: “Como assim? Isso é o que nós temos de mais precioso!”.

Mas em seguida, entrei numa sintonia de compreensão, do quanto realmente isso é bem custoso para todas(os) nós.

Envolve ter que discordar de algumas pessoas, lidar com os questionamentos de outras, ouvir críticas, não ter os comodismos de se enquadrar à maioria.

Ao passo que também, é de uma leveza libertadora, muito mais emocionante e criativo, como se permitir dançar na chuva, sem se importar com os olhares, a roupa molhada e se leva jeito para a dança, mas, a cima de tudo, se divertindo muito!

Você já fez pão?

Hoje, fazendo o meu primeiro pão, me veio uma reflexão. Seguindo uma receita, bati no liquidificador parte dos ingredientes e, depois, fui acrescentando, aos poucos, a farinha e misturando com as mãos.

Quanto mais eu batia na massa, mais ela encorpava e se unificava. Em seguida, a deixei descansando, por um bom tempo, e quando voltei, ela tinha dobrado de tamanho.

Será que é assim que a vida também faz com a gente. Quanto mais situações difíceis nos comprimem, nos reservam, mais fortes vamos ficando e crescidos, ampliados. A ponto de também, assim como a massa para virar pão, aguentarmos o forno pré-aquecido e ainda aproveitarmos a alta temperatura para aumentarmos a nossa beleza, desenvolvermos o nosso aroma e aguçarmos o nosso sabor, suscitando o suspiro das pessoas ao redor e o desejo de nos provarem; para, em seguida, inclusive, pedirem a nossa receita.

Mesmo sabendo que jamais ficará igual, que cada pão é único, que nem seguindo a mesma receita, se chegará ao mesmo resultado; pois, depende da singularidade dos ingredientes e do manejo das mãos de quem o faz. E essa premissa é a melhor parte, ser sempre original e haver diversas formas de ficar saboroso.

Obs.: A imagem não é fake, é a foto do pão que eu fiz. 🙂

Como você reage a um elogio?

É engraçado, costumamos nos incomodar tanto com as críticas e quando vem um elogio acabamos minizando-o.

Você já percebeu se defendendo de algum elogio?

Tipo, alguém lhe atribui um valor e você o relativiza, justifica de modo a diminuí-lo.

Se sim, sinto-lhe dizer, mas a sua autoestima não vai muito bem.

Ou você se acostumou com uma falsa modéstia, que também não é nada legal.

E agora, o que fazer com isso?

Se permita fazer uma autoanálise honesta, percebendo o que está em dia em você e o que, de fato, precisa ser melhorado.

Depois disso, por que não aceitar e demonstrar satisfação quando alguém reconhecer as suas competências, virtudes ou atrativos. E, se tratando de algo que você não concorde, não se apresse em desconstruir. Se não for um bajulador, talvez esteja sendo coerente e você ande muito exigente consigo mesma(o).

Seja sua(eu) amiga(o) e não sua(eu) inimiga(o), e será muito mais feliz! ❤

Vocês querem mesmo a minha opinião?

Hoje eu me fiz essa pergunta, após um assunto polêmico ter surgido num grupo de Whatsapp, composto por amigas das antigas.

Em seguida me vieram outros questionamentos, além de:

Será que elas querem mesmo ouvir a minha opinião.

Será que elas estão preparadas para me verem.

Será que elas vão acolher quem eu sou hoje.

Pois a minha opinião é contrária, mudou. E pra elas compreenderem o que estarei dizendo, precisarão colocar de lado o entendimento que têm.

Será que elas vão conseguir.

Será que elas estão dispostas.

Será que eu também quero me expor de tal forma.

Ai, cansei! Como é enfadonho ter que pensar tanto para se relacionar.

Como seria bom se pudéssemos ser, sem pedir licença.

E as nossas diferenças não provocassem tanta estranheza.

Nós nos manteríamos mais próximos, com certeza!

Por que escolhi ser Psicóloga?

No Dia do Psicólogo e com todas as felicitações recebidas, me perguntei, porque escolhi essa profissão. Não me lembro das pessoas ficarem me indagando o que eu iria ser quando crescer, como a maioria das pessoas relatam. Eu não tinha nenhuma decisão pronta, até ter que decidir. E nunca me angustiei com isso, sabia que na hora certa, saberia o que fazer. Acho que nem foi uma questão de escolha, mas, de encontro.

Sempre fui muito observadora, de achar curioso o comportamento das pessoas e de ficar hipnotizada com histórias. Não é à toa que pensei em ser jornalista. O sofrimento humano também sempre me arrebatou, a invisibilidade social dos menos favorecidos, ainda mais, surgindo daí uma outra vontade, de ser assistente social.

Pera aí, me lembrei aqui, que nos meus sonhos mais “infantis”, me via escritora. Os filmes de Hollywood tiveram muita influência nisso. Ficava encantada com a possibilidade de trabalhar de frente para uma linda paisagem, escrevendo histórias. Só que, ao imaginar, logo ecoava dentro de mim a frequente fala das pessoas: “Ser escritora no Brasil, não dá sustento”. A minha autoestima na época também não colaborava, construí a crença de que: “Para ser escritor(a), há de se ter uma mente genial”. As ideias eram mesmo de grandeza, espelhava-me nos filósofos mais célebres.

Hoje, entendo que, só não era o momento, eu precisava conhecer mais da vida e desconstruir certas ideologias. Aos 9 anos, tive o convite para acompanhar minha irmã, que na época tinha 12, a duas de suas sessões com a psicóloga. Não imaginava que essa experiência iria me influenciar tanto. No início pareceu meio bizarro, pois, falei mesmo com a almofada! Confesso que, de imediato, fiquei bem envergonhada, pois sempre fui muito centrada para a minha idade, mas, depois, fiquei com gostinho de quero mais. A figura daquela psicóloga me marcou, ou melhor, o trabalho dela me pareceu muito profundo e humano.

O tempo passou e o vestibular chegou, decidi com o coração e ao longo destes meus 12 anos de formada, sinto essa escolha sendo sempre confirmada, apesar das dificuldades da profissão; mas, entendendo que ela compõe apenas uma das facetas do meu eu social, não me limito a esse papel, acolho também o meu lado escritora, professora, filosofa, assistente social, artista… Posso ser várias e, isso sim, é genial!